Meio-da-tarde
É meio da tarde. O pico do meio-dia acaba de ir-se embora deixando o céu menos azul. Menos devassados por seus raios extremamnete brancos e tórridos. Faço-te uma carta na força do meio-dia ainda...Converte-a na canção que mais te aprouver.
E essa tua presença tão presentemente presente? Sempre lá...Anos a fio...
E a tua boca cuidadosa, lenta, impositiva no entanto, invencível,letal?
E a tua língua meiga e de toda competência, cirúrgica muitas vezes nos cortes que dava!
Os dedos previsíveis, esperados, esperáveis, esperantes...
E os pés? Teus pés de anjo jovem. Teu pés nunca haverão de envelhecer.Anjos não envelhecem. Pés de anjo não envelhecem...
E a falta que tu me fazes a cada vez que me vingo, a cada vez que, insolente, de longe vem a lembrança.
Não é pleonasmo dizer que a maior inimiga do esquecimento é a lembrança. Eles lutam os dois um pelo outro, e a gente sofre.`É dentro de nós que se rechaça a luta, é dentro da gente que se faz a rinha. O esquecimento pede sombra, a sombra únida do barro molhado. A luz pede brecha pra entrar e iluminar tudo com seu poder que é seu clarão.Assoberbar-se de tudo, iluminando.
Mas...e as mãos? A língua, a boca?...Onde estarão?...
Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 17h27
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