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Meiava a tarde...

   Meiava a tarde. Não quaquer tarde, mas aquela tarde. Tinha chovido. As árvores contentes deixavam pingar a água que com elas havia sido generosa. Que as havia lavado gota a gota, viabilizando aquele verde fresco, alegre. "Verde, que te quero verde". Eu queria verde.

   Tive naquela tarde chuvarenta a sensação, quase certeza, de que estava morrendo. Muitos de nós temos uma vez por outra essa sensação mas se vivemos, com ela permancemos desconsiderando a certeza. É uma velha história minha mesmo. Vinte anos atrás, aquela tarde, eu me senti grávida. Assim, no meio do nada, sem um antojo, um atraso que fosse no meu ciclo menstrual. Não houve sinais. Nem sensações. Só a certeza. O último evento de certeza, simplesmente. Aquilo se instaslou em mim. Eu ia ter um filho. O meu menino que entardecera aquele dia enroladinho e mórulo no fundo do meu corpo. No coração vermelho, latejante e acolhedor do meu sistema reprodutivo.

 



Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 12h38
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