Jardins de Coral


Como os Ilongot

 Para mim o pertencimento também se compõe de lugares, não raro de UM lugar. O(s) lugar(es) das coisas e nosso também. Tome-se lugar como a conjugação do espaço com o sentimento, da paisagem com a história da gente, e essa noção vai se evidenciar de extrema relevância para a compreensão do fenômeno humano. Há povos no mundo como os cortadores de cabeça Ilongot da Nova Zelândia (ah, povinho!Rsss) cuja história se insere na paisagem, de modo que refazem seus próprios roteiros de vida referenciando-se pelas árvores, pelas pedras, pelos rios, enfim... A paisagem é uma das dimensões mais importantes do lugar e não mais ou menos para você, para mim ou para os Ilongot. E eu me pergunto como eles se reportariam a si mesmos num outro lugar. Porisso o pertencimento (ou a noção de pertença) se constrói em lugares. E também nesse cruzamento, o exato lugar do lugar para cada um é muito mais subjetiva do que objetiva. Imagino até que seja possível e bem frequente que uma pessoa seja "boa toda" aos olhos dos outros e no entanto swofra lá dentro de si as dores da sensação de desenraizamento ou de expoliação do espaço. A perda do lugar existenciada "como se fosse". Por outro lado a pessoa também poderia (e não raro pode) passar pela situação inversa, em que seu comportamento observável não seja dos mais certinhos ou dos mais articulados, mas do seu ponto de vista interior haja sentido, haja chão, haja lugar...

Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 20h58
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Pronto...

   Pronto, Cesaréia, pronto, meus amigos. Leonardo Boff não nos deixa esquecer que nem tudo é ida. É preciso estar atento para a volta. Pronto. Voltei. Voltaria. A esta manhã chuve fininha, a dor fininha, penetrando o coração. A gente tem que pertencer. Pertencer é fazer sentido. Temos que fazer sentido para ter a sensação de fazer sentido epoder falar de pertencimento. Não podemos afirmar que necessariamente pertençamos (em meior ou menor medida) sempre que tenhamos a sensação de fazer sentido. Contudo, o contrário é verdadeiro: vc faz sentido ao pertencer. E a gente sabe quando está fazendo sentido ou não. Como o modo como se pertence é muito mais um sentimento subjetivo do que uma realidade objetiva, de alguma maneira a gente sente. Pois sentir é a capacidade de raciocinar, de julgar, de usufruir, trocar, mais do que tudo compreender, e isso também faz parte do fazer sentido. (E continua...)

Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 08h36
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Seca Verde

 

   Isso tinhas para mim, Cesaréia. Além do teu rosto embelezado, do teu generoso corpo de montanhas e do Vale, a Seca Verde. Um fenômeno sertanejo, um fenômeno portanto só teu. De dia, o sol castiga, escalda, racha. No decforrer da noite cai um orvalho perfumado que amanhece nas folhas e na superfície do chão. Muito verde o mundo. A volta. Outro presente teu, Cesaréia. Tu agora me disseste claramente que nem tudo e ida. Nem tudo é saída. Há a volta. "Bendita a porta da rua, que me separa do mundo". As avoantes e as andorinhas que literalmente brigam por espaço nos teus céus e teus açudes. Na saída da cidade, já de partida pronde vim, as igrejas estavam cobertas de pássaros. Dos dois tipos. Avoantes e andorinhas, todos em busca da nidificação. Estarão cumprindo aquilo pra que foram feitas. Voar. Nidificar. Significar. Nós também. Pensando bem, nós também. Dizer mais seria ir arrancar de dentro muita coisa, ia doer e tomar o tempo do meu já generoso leitor (gostaram dessa?Rssss). Assim, fico por aqui, Simone/Rosa do Texas



Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 09h49
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