AO CONDENADO
Foi boa a nossa vida, cavalinho meu, mas durou pouco.
O tempo de um grito foi o que ela nos deu.
E hoje nos separamos, pois
Se apagaram teus oblhos, e a tua força também.
A tua crina voava, tua alma galopava,
E o meu bípede coração corria atrás.
Dormíamos no mato ao apagar-se o dia,
Ocultados da gente e esquecidos de Deus.
Mas de novo ressoa o chamado do vento
A nós que nunca usamos rédeas nem uma sela!
Beijo a tua mancha negra...também a branca beijo.
Cavalinho meu, por que tu me abandonas?
Se eu pudesse dos meus anos te daria
De guizos te cobriria, te daria sinos.
Toma esta bola azul, te dou também meu relógio
Para que fiques.
Mas partes. Ouço teus cascos descalços,
Inesquecível cavalo! Despeço-me de ti
Enquando ondeia ainda ao vento a tua crina
Que há de brilhar na guilhotina como um sol!...
Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 10h17
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