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    Robson também morava em Cesaréia. Nunca entendi muito bem o que ou quem o levara pra lá. Deixara namorada em Fortaleza e trouxera consigo suas camisas sempre cheirando a pano limpo recém-passao, seu corpo magro e muita saudade. Uma saudade que nem ele mesmo entendia. Trabalhava na secretaria da faculdade à noite. Não tinha função. Fazia de tudo. Inclusive quando me via chega,r se apressava em minha direação pra mostrar uma carta que teria recebido ou para reclamar da falta de notícias. Sentávamos no banquinho de cimento debaixo de duas árvores sempre farfalhantes como se quisessem participar também da conversa. "Professora, será que eu consigo sair daqui? A senhora não tem vontade de sair daqui? Mas a gente sai, não sai?" Eu também temia pelo modo como deveria se encaminhar a minha vida, estava sem balizamento, mas acalmava minha agonia consolando Robson. A coisa mudou depois das Torres Gêmeas. Robson ganhou vida nova. Toda noite, lá vinha ele: "A senhora viu? Parece que ainda tem avião faltando", e as versões que rolaram sobre o acontecimento eu as tinhas todas por Robson. Nem precisava ver a televisão. Saí de Cesaréia antes dele. Mas nunca esquecerei seu sorriso esperanceiro: "A senhora vai ver. Agora tudo vai mudar. Eu também nesses dias vou embora. E aquelas torres, hem?..."

   



Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 09h25
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