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Jardins de Coral | ||||||||||
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Em Cesaréia havia uma serra. era uma distinção ter uma casa na serra. Havia várias. Todas pesadonas, cheias de telhados, eiras e alpendres. Redes. Longas mesas de longa orgia e de madeira de lei. Móveis pouco. Muita renda. Renda e madeira de lei. Fogueiras à noite nas festas. A funaça cinzenta das chamas e do braseiro misturada à névoa de prata das madrugadas na serra. Danças antigas, sertanejas, muita sedução, muita poesia. Freo José, sempre muito acatado, benzeria, comeria, beberia, aplaudiria, dançaria. A dança do frade. A dança de São Guido. Frenéticas. Ferrões,. Picadas. Pequenos saltos. Assim dançava frei José. Cesaréia teria sido um lugar bom pra ficar, mas era ponto de baldeação. As pessoas não pareciam ser de lá. Forasteiros como eu, à procura, só por uns tempos, ou eram nativos do lugar que queriam tanto ir embora que é como se dali não fossem. Fortaleza. A mística do mar. Mas em Cesaréia tudo funcionava. Mercados públicos, colégios, universidade, e até um museu. Lindo. Muito lindo. Igrejas por todos os lados. Cada uma com sua praça. Por entre as praças, casinhas. As casas locais onde sempre se morara. Mas era baldeação. Pra quem chegava de fora, pra quem nunca tinha saído dali. A baldeação pairava no ar. Um estado de espírito. Uma imensa alma coletiva que não obstante amava o rio e o vento a que dava nome, o doce e imperioso vento das madrugadas do Acaraú... Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 13h35 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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