Jardins de Coral


   Pois é. Em Cesaréia, num banheiro de chão de cimento verde, paredes cinzentas e uma pia sem espelho eu senti trespassar-me a flecha da morte e caí. Caí devagarzinho, primeiro de joelhos para depois abastardar-me de uma vez em pleno chão. Caí, a boca aberta, o grito preso na goela, que lá fóra estavam Dona Terezinha e Frei José e não convinha que me vissem morrendo daquele jeito. O grito estrangulado e as mãos com que segurei minha garganta, o corpo trespassado pela lança, eu entronchei e caí lá. Humildemente no banheiro úmido, feio e já familiar, deixei-me morrer naquele pavoroso silêncio dos que sabem que não podem gritar. E que gritando no entanto se iluminariam. Depois, sabendo que não me enterrariam naquelas terras, me levantei, despi-me de algo que nunca saberei o que foi, paguei a conta e desci sob o sol escaldante na direção do Massapê.

Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 22h07
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