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Jardins de Coral | ||||||||||
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Estamos em Cesaréia, dia de feirinha e de quermesse na frente da igrejado santo homenageado. As festas lá são assim. Cada uma atada à sua igreja, em festas abertas onde todos vinham. Fumaça de churrasquinhos, maçãs do amor, o cheiro da cocada e do cachorro quente, a mistureba. O meio dos mortais. A multidão. Letícia e Antônio levantaram-se, tomaram cada um seu banho e foram pra festa do Senhor Morto.Haviam resolvido achar uma tática de ser vistos mas não muito (Cesaréia é panóptica demais!!) o suficiente pra se sentirem mais à vontade ao se ocultar A vontade de ir pra cama outra vez, uma vez mais, fosse como fosse, os fazia arrastar os pés como os dos devotos. Sequência agoniada de pessoas gemendo seus hinos. Cantando como quem chora. Rios de vida e de luz se derramando pelas ruelas, por aqui e por ali para depois juntar-se mais uma vez a todo mundo. Momentos de muita vibração.A fé das pessoas, os cantos, os passos, as velas acesas e o profano esperando que a numinosidade passasse para então a gula, a bebida, as mulheres, jogos de aposta, chegarem ao seu tempo e ali serem. Nos comedores de Cesaréia, mesas grandes. Mesas grandes e fartas, rodeadas de risos e talheres.Convidados individualmente, Letícia e Antonio pegaram seus pratos e foram pra algum lugar mais discreto onde pudessem combinar as coisas. O ôlho grande e falante de Cesaréia não poderia dar conta dos dois. Duas marionetes do lugar em que se passa a história, que por sua vez não pode deles se livrar. A atração somada à solidão e uma certa vontade de ficar.Pelo menos uma decisão tomaram. Continuariam a encontrar-se, mas cama de festa só noutro município. Noutro lugar. Noutra Cesaréia. Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 08h03 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] E onde fica Cesaréia?Cesaréia anda comigo e estará onde eu estiver. Cesaréia talvez seja eu mesma. Eu mesma um lugar. Mutante e ambulante. Tempo de festas em Cesaréia. Morno tempo de festas em que o mundo reduz seu ritmo e quase tudo pode acontecer. Se for tragédia, grande tragédia seráq. Mas não é tempo de tragédia esse das festas. E ao mesmo tempo o é. Pois delas se esperam muitas alegrias, muitas esperanças, só a prima saudade sendo admitida aí, sempre em função da festa. Levei minha vida inteira aprendendo a viver festas. Estes picos afiados em que é preciso muita precisão, muita paz interior pra não se danar. É preciso conseguir estar bem, dia de festa. Pode-se com legitimidade calar as coisas da alma. A alma guarda sussuros, gemidos, lágrimas contidas, amores envolvidos num lenço perfumado, golfadas oníricas, tudo em silêncio. Tudo silenciado à espera de que uma fresta se abra e aquilo venha a ganhar vida. A vela usada e apagada, com seu pavio escuro e tortuoso é uma forma de silêncio também. (Continuo...) Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 14h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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