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    Madrugada alta em Cesaréia.Rua Irlanda. Serra da Meruoca ao fundo, estrada do Massapê levando lá. Antonio se levanta e sai da cama. Cambaleante de sono, olheiras escuras, um dente solto incomodando na boca. Não conseguira penetrar Letícia. Haviam se conhecido num dia de chuva fina, rara, em meio ao calor de Cesaréia. "Eu vou comer essa mulher", pensara consigo mesmo. Encontrara-se com ela várias vezes, enfeitiçado pelos seus olhos e seu jeito decidido, sua aparência ligeira de anjo pequeno e hermafrodita. Muito meiga. Muito dura.Muito leve.Às vezes lenta como um animal velho "Eu ainda hei de comer essa mulher". Uma manhã vazia de domingo na rua dos bancos, no meio de Cesaréia, lá estava ele. Correto, de pé na esquina, o cigarro na mão morena e longa, escrutinando a praça como seu fosse seu domínio. Os dedos da outra mão, inquietos, vasculhavam o bolso onde não havia coisa alguma. Não aconteceria nada aquele domingo de manhã. Já mais de onze horas, a marasmeira dos mendigos e de alguns aposentados na ruazinha do Beco e Antonio trocaqndo os pés, impaciente, como se esperasse alguém.

Letícia veio. Caminhando depressa, as saias soltas, os braços soltos, leves, tudo muito leve. O passo firme, a cabeça inclinada como se para andar tivesse que ver o chão o tempo todo.Inclinada para baixo como um pequeno touro na investida, veio Letícia rua dos Bancos abaixo. Serrando por cima.Não hesitaram muito em ir para a cama. e agora Antonio se levanta, o peito suado cheirando a lavanda. o públis suado, as pernas bambas. O orgasmo o deixara assim. Longo, doído gemido "filha, filha". Não conseguira penetrar Letícia. Suas coxas por trás o acolheram mansas, e ele ali gozou. Queria ter esperado mais.Queria quem sabe, ter esperado o que, madrugada adentro seria uma relação. Como se tivessem 22 anos e estivessem em Paris. Em Cesaréia os dois e suas solidões. (Continua)

  

 



Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 16h49
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   As festas em Cesaréia. Nas praças em todas as que havia e eram muitas, cada uma tinha sua igreja e sua feira onde todos vinham. Fumaça de churrasquinhos, maçãs do amor, o cheiro da cocada e do cachorro quente, a mistureba. O meio dos mortais, A multidão. Longas, as procissões. O Senhor Morto, sequência agoniada de pessoas gemendo seus hinos e seu louvor. Cantando como quem chora. Mas mesmo assim eram rios de luz se derramando pelas ruelas, por aqui, por ali, para depois ir juntar-se de novo. Momentos de muita vibração. A fé das pessoas. Os cantos, os passos, as velas acesas, o profano ali acoitado, só esperando a sua vez. Que aquela numinosidade passasse e então a gula, as mulheres, os jogos de aposta se achagriam ao seu tempo e aoi seriam. Nos comedores de Cesaréia, mesas grandes. Mesas grandes rodeadas de risos e talheres. (Amanhã, mais sobre Cesaréia e o que ali pode acontecer. Não perca!!:)))))

Escrito por Simone/Elf/Rosa do Texas às 18h07
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